Tudo o que me vier à ideia!!!

19
Jun 07

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária. A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em «oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços», incluindo no que respeita «a despesas de manutenção nas contas à ordem».
As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre «racionalização e eficiência da gestão de contas», o «estimado/a cliente» é confrontado com a informação de que, para «continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção», terá de ter em cada trimestre um «saldo médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras» associadas à respectiva conta.
Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR243,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio diário de EUR 7,57 (sete euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social para receber a reforma.
Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar «despesas de manutenção» de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria.
O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões (para citar Bagão Félix), a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos.
É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa, como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade.
Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso .

Medite e divulgue . . .
Cidadania é fazê-lo, é demonstrar esta pouca vergonha que nos atira para a miserabilidade social.

publicado por Xena às 11:49
sinto-me: Triste
tags: ,

3 comentários:
essa não sabia....

mas bem que me pareceu que seria uma questão de tempo até acontecer...

dá vontade de voltar aos bons velhos tempos do dinheiro no colchão!

sim porque coitados dos bancos... têm o dinheiro, fazem o que querem com a liquidez.... e ainda cobram... é sempre a "perder"... um negocio de alto risco....

sempre pensei que a caixa fosse diferente...

noche a 19 de Junho de 2007 às 15:43

É o país em que vivemos...Adeus classe média, muito em breve teremos os muuuuiiiiiiitooo pobres e os extremamente e excentricamente ricos, sim pk até para se ser pobre tem k se pagar
Xena a 19 de Junho de 2007 às 16:28

Agora diz lá que não é de revoltar qualquer pessoa!
Vai ver o meu último post e confirma.
Ladrões e cobardes, sim porque explorar os mais fracos é a mais pura das cobardias.
Dá ou não dá vergonha?! Isto vai ficar pior do que o Brasil é o que eu te digo... e depois há criminalidade,
então é o que lhes resta, ou vão morrer à fome???
barafundida a 20 de Junho de 2007 às 14:14

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